EM DIAS DE FRIO

 

Ela resolveu sair.

Lá dentro, o cheiro do cravo, a cama desarrumada, o copo seco, o pijama, os espelhos, o gosto do café amargo, o silêncio da noite passada, o piso gelado e ela querendo ele.

No dia anterior, a paisagem de mata fechada, precipícios, céu azul, flores silvestres, água escorrendo, curvas sinuosas, corpo suado e ela de novo querendo ele.

Duas noites atrás, cheiro de fumo, goles de gin, música rolando, olhares trocados, luzes da cidade, pessoas dançando e ela querendo ele ainda mais.

Que ideia foi essa de sair agora, com um sorriso no rosto, mãos geladas, saliva de beijo, coração pulando, olhar perdido e um andar desajeitado dentro dessa roupa?

Ele deveria ter visto.

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A dor da gente não sai nos jornais (sic)

Dizia que preferia dias nebulosos à claridade. Melhor inverno que verão. Hoje, diante do sol branco, espichou-se numa cadeira com o corpo quase nu e rogou: – Sol, faz arder com teu calor esse desejo que vaza pelos poros, pela boca, pelas narinas, pelos ouvidos, pelos cantos dos olhos, pelos oricícios. E lá ficou.

Love Elvis

Love Elvis!!! Não foi à toa que escolhi ouvir Elvis nessa manhã de céu tão azul e dia tão claro que doeu minha vista.

Sinto-me viva. Tão viva quanto morta. Como ele. Tão morto e tão vivo.

Antes de ontem não dormi. Estava com aquele velho medo da morte. Deixei que voltasse a minha mente pensamentos assustadores que abafo com doses não homeopáticas. Tenho medo da morte dos outros. Dos outros mortos. Do que poderão fazer.

Não tenho medo da morte. Alimento o seguinte raciocínio: A vida e a morte vivem trocando de papéis ou são a mesma coisa. Posso explicar. É simples. Escolhemos a todo momento entre uma situação ou outra. Então vivemos a opção escolhida e matamos a opção descartada.

Mas se a vida é eterna,  como acredito que seja, a opção descartada continuará viva mesmo assim, seja ela qual for, não importa que esteja morta.

Simples, simples. You Believe me, please.

Vivo mortalmente confusa (risos).

 

Para você que sabe dos meus planos

Não sei por que reclamam os que dizem viver na solidão. Por que lamentam a falta de alguém para chorar no ombro todas as perdas e desilusões sentidas?

Na minha vida, a solidão se vista assim não é uma coisa importante..

Não compartilho meus desgostos. Essa necessidade  já foi suprida. Desaprendi nos anos vividos.
Tenho até certo apego aos desgostos. Quando eles chegam, é hora sagrada de me recolher aos pensamentos, fazer minhas confissões, tirar minhas conclusões, lavar e acalmar minha alma. Faço isso.

Mas justamente na alegria eu sinto a falta do mundo ao meu redor e me dá uma vontade danada de estar bem perto daquela criatura.
Então ela seria como eu: Tão feliz…

Um outono

outono

Amanheceu um típico dia de outono.  Por aqui o sol radiante diminui o tamanho dos prédios e ilumina as copas verdinhas das árvores. Ah! O azul do céu…

Sim. Estamos numa bela manhã de outono, tal como lhe descrevera antes.

Outono sempre foi a minha estação preferida. Mesmo quando estava no lugar onde o que se vivia era verão e inverno. Sou meio vidente: Eu viveria outonos.

É muito provável que goste do outono por causa da minha paixão pelas palavras. Essa palavra, por exemplo, parece comigo. Parece com a minha alma – também falamos sobre alma, lembras?

É uma palavra sóbria.

Agora aqui a escrevendo, me passou pela cabeça o seguinte: As palavras expressam seus significados e se impõem de acordo com as vogais que as compõem. Palavras que repetem em sua composição as vogais “a, e, i” são palavras jovens, inexperientes, extrovertidas. Já as compostas de repetidos “o, u” são maduras – portanto, misteriosas.

Digo isso, mas não consigo exemplificar palavras jovens. Deve ser porque não tem lógica… foi só o que pensei.

Mas, outono é uma perfeita ilustração de uma palavra madura – portanto, misteriosa.  A melhor estação do ano.

Você viu esse céu? Sentiu a brisa gelada? E o verde das árvores?

MAPA ASTRAL

Não desisto de encontrar explicação para a minha loucura.

A ciência não me explica.

Videntes, cartomantes e horóscopos, isso sim, tem ajudado.

Mandei fazer um mapa astral. Por certo a posição dos astros no momento do meu nascimento fez de mim essa criatura.

Esse final de semana foi um daqueles. Bom seria se eu encontrasse uma viva alma disposta a ouvir divagações, para falar sobre crença, esperança, paixão e alegria.

Tenho uma certeza absoluta: sempre chego atrasada na vida das pessoas. Se chegasse a tempo, transformaria suas existências e a minha. Loucura sim. Pretensão não.

A astróloga que fez meu mapa queria saber. Fale um pouco de você – disse ela. Deverá ser mais fácil para eu começar a lhe explicar seu mapa – Continuou.

E eu fui falando sobre algumas coisas que penso e de como vivi. Contei que havia sonhado dançando de um jeito que eu jamais havia dançado na vida. Que sou extremamente tímida e que falo de mim, assim naturalmente, só com pessoas que talvez nunca mais encontre.

Despedimo-nos depois que ela me pediu opinião sobre o que fazer da sua vida. Ultimamente ela estava entediada de tudo. É claro que a conversa só chegou a esse nível  porque certamente, nunca mais nos veremos.  Sou muito louca.

Para mudar o mundo

Orçamento na ponta do lápis
Corpo magro
8 horas de sono por dia
cabelos bem tratados
pão na chapa
olhos pintados
1 chocolate
água sempre
missa aos domingos
pilates e spa
pés cuidados dentro de sapatos confortáveis
frutas, muitas frutas
vinhos e drinks
dança
filmes e música
ler e escrever

O  mundo muda…

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